Quando o jogador quer tirar o estilo do mestre…

Já vi isso acontecer uma série de vezes e confesso que não é uma coisa boa. Pelo menos não para o mestre.

Não falo em estilo de como mestrar, mas sim o estilo do jogo em si.

Por exemplo, certa vez estávamos jogando uma aventura com o sistema de Daemon onde os inimigos pareciam muito mais fortes que o esperado pelo mestre [segundo opinião dele mesmo]. Insistimos pra ele mudar de sistema e mudamos. Com o novo sistema a coisa não ficou muito diferente.

Ou seja. O mestre tem seu estilo mais matador, mais destruidor. Não que seja totalmente ruim, mas é um estilo.

Acho que quando um jogador precisa mudar seu método de interpretar, ele pode simplesmente mudar o comportamento, mas para o mestre a situação é um pouco mais complicada.

O exemplo mais fácil de ser lembrado é o sistema. Vampiro: [márcara ou réquiem] não são sistemas próprios para uma ação de combate. Têm suas regras sim, têm suas qualidades, mas definitivamente são sistemas para situações menos violentas. Onde um jogada de diplomacia, lábia, manha ou até mesmo um teste de algo relacionado à sexualidade seria mais bem recompensado [de acordo com as regras do sistema].

Já D&D [qualquer edição que seja] já algo mais voltado para combates. Claro, tem suas situações sociais, mas não se pode negar que ele tem tendências de wargame. As situações diplomáticas são raras e não são tão solucionadoras de problemas.

Gurps? Sim, eu gosto, mas se o mestre não quiser algo próximo da realidade [dependendo da campanha, é claro] esse não é o seu sistema. Gosto da liberdade que ele lhe dá para viajar entre cenários. Usar personagens em qualquer tipo de ambiente com a mesma ficha é uma de suas vantagens, mas quando se fala em supers [por exemplo], temos outros sistemas melhores, como parece ser o caso de Mutantes e Malfeitores.

Quer mestrar algo de comédia? Tente usar 3D&T, Toon ou Paranóia, mas dicifilmente o mestre vai conseguir fazer isso com um Storytell[…] ou Demon: the Fallen.

Acho sim que existe sistemas certos para estilos certos. Acho também que um mestre deve adequar seu sistema à sua aventura e não o contrário. Se ele quer algo aventureiro, que mestre D&D. Se quer algo dramático que mestre WoD. Se quer algum estilo que vai mudar de uma hora para outra, mestre Gurps. E se quiser citar mais alguns sistemas menos difundidos pelo Brasil, comente aí e deixe seu recado.

Enfim. É muito fácil para o jogador mudar seu estilo de interpretação, mas para o mestre mudar o estilo da campanha, acho que ele deve pensar primeiro no sistema, antes de qualquer coisa.

Até…

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7 Respostas

  1. Falou e disse, Nordestinus! A proposta original do sistema já dá uma boa ideia do “contrato social” estabelecido na mesa, e resolve alguns problemas de incompatibilidade de estilos.

  2. Esse tipo de problema, quando os jogadores e o Mestre não estão na mesma frequência pode ser resolvido com uma boa conversa.

    Do lado do Mestre, eu sempre observo as reações dos meus jogadores de acordo com o que eu narro e com o tempo, sei direitinho o que eles gostam, qual é o tipo de experiência que eles estão buscando no RPG.

    É uma questão de tato e de observação, mas que é muito gratificante quando você acerta “a mão” com o estilo de narrativa que vai dar mais diversão para o seu grupo!

  3. Um dos meu grandes erros era tentar mestrar jogos de fantasia classicões usando 3d&t… mas os jogadores criavam coisas como: “invocador que não fazia invocações” , “mago que andava sobre uma ilha flutuante” , “homem-gato compulsivo mentiroso”, entre outras coisinhas assim.

    O sistema representa a realidade do cenário, o clima… o mestre também tem que ter tato pra sacar e encontrar um sistema que ele goste e combine com seu modo de mestrar.

  4. Exato Gigante [Afinal, GG é maior que G, né?]. Acho que o mestre tem que saber a hora certa de mudar de sistema também.

    Tem que ser um sistema que cumpra com o que o mestre precise no momento.

    Por isso não gosto da idéia de se ter um único sistema para jogar qualquer tipo de aventura.
    Gurps comporta qualquer cenário, mas uma aventura épica medieval, sempre vai ser melhor em D&D que em Gurps. Ele comporta o cenário, mas não o estilo.

    • Nesse ponto, eu acho que a Open Game d20 acabou atrapalhando um pouco… quiseram padronizar as regras, o que até é bom, mas reduziram as possibilidades.

      É uma questão complicada: por um lado, a praticidade de um sistema genérico, por outro, a falta de ferramentas mecânicas específicas para cada cenário.

      (Gigante? Ih rapaiz… apesar do apelido, tô mais pra halfling…)
      😀

  5. […] Quando o jogador quer tirar o estilo do mestre… […]

  6. […] no sistema, antes de qualquer coisa. Até… Arquivado em: Opinião … fique por dentro clique aqui. Fonte: […]

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