Entrevista: Maíra Termero…

Sim ela mesmo. A Maíra do Taulukko, do Grupo da Google, dos comentários no seu blog…

Fiz uma pequena entrevista com ela recentemente e eu adorei as suas respostas. Leiam e vejam a graça da mulher…

RPG Virtual: Fale um pouco de você, de seu grupo de RPG [se é que está jogando atualmente] e de como começou a jogar.

Meu nome é Maíra, sou jornalista, tenho 27 anos. Quem me ensinou a jogar RPG foi o marido-nerd, há uns oito ou nove anos. Ele jogava há muito tempo com um grupo em São José dos Pinhais, no Paraná, ainda na segunda edição de D&D. Entrei daquele jeito bem mequetrefe: namorada do mestre entra no grupo e seu personagem simplesmente “surge” na entrada da dungeon. rs Foi estranho. Depois disso só joguei mesmo RPG eletrônico, principalmente Baldur’s Gate I e II. Recentemente, uma amiga de colégio casou com um RPGista e voltamos a jogar (o Tchelo e a Lina, do RPG Planet), com D&D 3.5. O resultado é que agora estamos atolados de jogos: aos sábados, a cada 15 dias, na casa deles, jogamos Ravenloft. A cada outros 15 dias, aqui em casa, uma aventura do marido-nerd. Online, jogamos às sextas (não todas) a aventura de Porto Livre no Fantasy Grounds. Em outras sextas, no Taulukko, jogamos Scion com o Marcelo Neves. E, em alguns domingos, no Taulukko, a Cidadela sem Sol. Ufa!

RPGV: Tem algum outro passatempo que consuma tanto tempo ou mais que o RPG?

Impossível! Mas agora estou lendo Sandman (emprestado do Tchelo), assistindo a House e Heroes, algum anime (acabamos de terminar Mushishi) e, de vez em nunca, arrumamos um jeito de ir ao cinema. Estou com uma porção de jogos eletrônicos ocupando meu HD porque não finalizo nunca… e ai de quem tentar desinstalar!

RPGV: Qual a sua visão sobre RPG no Brasil e no Exterior?

No exterior, não sei opinar porque não acompanho muito. Por aqui, vejo com muito bons olhos essa movimentação toda em torno dos blogs. E não só pelo conteúdo que eles todos fornecem para os jogadores, mas pela movimentação que eles provocam também nos eventos reais, que são muito melhor divulgados. Fomos ao Game Day do PHBII, por exemplo, só porque eu fiquei sabendo pela turminha das listas de discussão e dos blogs. Eu nem me ligava muito nesses eventos pela divulgação offline apenas. Sequer tinha visitado a loja da Devir até então. Outro exemplo é o livro do Ao Cair da Noite. De que outra forma ficaria sabendo do seu lançamento se não fosse pelas listas e blogs? Acho que todos só têm a ganhar. Não vamos ter um mercado hiper movimentado, porque não é o perfil do RPG, mas só da gente aumentar essa rede de rpgistas já é muito bacana.

RPGV: Qual sua opinião sobre Live-Action?

Nunca joguei, mas imagino que deva ser divertido.

RPGV: Cite três sistemas, em ordem de preferência, que gosta de jogar.

D&D 3.5 (o que mais joguei), Scion. Acho que fora isso, só joguei AD&D 2a. ed e a quarta agora no evento. Estou esperando julho para jogar Falkstein com a Elisa (do Pensotopia).

RPGV: Diga qual sua impressão sobre cada um dos sistemas citado por você na pergunta anterior.

Gosto muito de jogar D&D 3.5, ainda que prefira algumas das várias regras da casa que o marido-nerd criou. Tem muita coisa que ele tenta resgatar da segunda edição que eram divertidas. O lançamento da 4a ed. só reforçou essa nostalgia. Acho que não é à toa esse movimento Old School bem agora. rs. Scion comecei há jogar há pouco tempo e estamos nos divertindo muito. É um sistema de regras bem mais leve, né? Só um suporte mesmo para as histórias. Eu acho que D&D 3.5 me deixou viciada em regras. Adooooooro ficar descobrindo como as regras funcionam, como usar, como melhorar um personagem… Ainda bem que jogo com mestres que também gostam disso ou não se importam. Em Ravenloft, por exemplo, o risco de morte é tão grande que o mestre atá ajuda a combar as fichas haha.

RPGV: Como você se define como jogador de RPG? Você se foca na personalidade do personagem, em táticas de jogo, em construir as melhores habilidades e perícias…

Eu, a princípio, gosto de jogar com uma boa história. Mas não sou muito boa em criá-las. Na campanha de Porto Livre, por exemplo, quem criou o background do meu personagem foi o marido-nerd e foi muito mais divertido jogar tendo essa base, me preocupando em interpretar bem a personalidade dela. E não é fácil. É uma personagem de tendência maligna, uma mulher em um mundo quase islâmico, uma pirata travestida de homem. Esse desafio é bem divertido. Mas não consigo criar histórias tão boas. Então, fora isso, me divirto bastante descobrindo como uma determinada classe funciona melhor e qual o melhor jeito de usá-la.

RPGV: Você acha que a “onda d20” mudou o mercado brasileiro? Acha que alguma coisa vai mudar com o cancelamento do D20 System? Qual a perspectiva que você está vendo para ele, daqui em diante?

Eu não acompanhei essa chegada do D20. Quando comecei a jogar mesmo, já foi dentro dessa onda. Mas faz muito sentido para mim o que ouvi do Monte Cook no EIRPG, que bate muito com o que ouço do marido-nerd, que é mais velho de guerra. O D20 chegou em um momento em que os jogadores já estavam meio cansados de ficar aprendendo regras e sistemas novos para cada jogo. Então ele foi bolado para ser ao mesmo tempo genérico e muito divertido para cada gênero de jogo. É um sistema bem consistente, planejado, pensado. A idéia era abraçar todo o mercado, dando vantagens para quem entrasse nessa. E foi uma idéia de ganha-ganha muito positiva para todos. Eu acredito que acabar com isso é um tiro no pé. Muitos jogadores continuam cansados de ficar aprendendo sistemas e regras, e mais ainda depois de tanto estudarem o D20 e fazerem as suas próprias modificações para ele. Depois que ele está redondinho para o seu jogo, por que raios você vai usar outra coisa? É um retrocesso. Quem criar novos cenários e campanhas ou vai manter no D20, ou vai fazer num D20 alterado, ou vai criar logo um sistema próprio. Como era antes, não?

RPGV: Existem projetos, sociais ou educativos, em que você esteja envolvido?

Hoje, não. Mas por alguns anos participei do Projeto Redigir (http://www.evon.com.br/wikis/redigir/), um curso de redação gratuito criado e mantido principalmente pelos alunos de jornalismo da USP. E, no momento, estamos ainda tentando fazer nossa jogatina de RPG na Casa do Zezinho. Era para participar daquela iniciativa do D3, no final do ano. (http://d3system.com.br/circuitofimdean/) Não deu tempo de fazer em janeiro, como queríamos, mas vai acontecer. Estamos finalizando as aventuras. 🙂

RPGV: Você atualmente administra oTaulukko. Como surgiu à idéia do site, qual seu objetivo e quais os planos para o futuro?

A idéia do site a gente já cultiva há algum tempo. Mas ela voltou a nos empolgar para colocar a mão na massa quando começamos a jogar no Fantasy Grouds II, que é um ótimo programa. Antes de escolhê-lo, testamos outras opções livres, gratuitas e nenhuma era tão boa. Então montamos um grupo, compramos as licenças em conjunto e estamos nos divertindo pacas. Mas sempre tem um problema de conexão, ou um está viajando e não tem o programa instalado na casa onde está. Outro está em lan… Ou ficamos lá um tempão esperando fulano atualizar.. Fora as pessoas que querem jogar mas não querem/podem comprar a licença. Aí o marido-nerd se empolgou e decidiu criar logo o Taulukko, de um jeito que não encontramos em nenhum outro lugar: via browser.

Decidimos parar de tentar fazer só quando tivéssemos tudo completo e adotamos o modelo de produto sempre em construção. Antes uma meia idéia no ar que uma idéia inteira na gaveta. A princípio, ele começou (em agosto do ano passado) com o básico: um chat e um rolador de dados. E decidimos que íamos colocando o que nos fizesse mais falta em nossa mesa de jogo. Para nossa alegria e surpresa, bastante gente começou a usar e nos avisar de bugs, dar dicas para melhorar uma coisa ali, outra aqui… E o resultado é que tem muita coisa nova implementada por dicas dadas diretamente pelos usuários. Nossa lista de prioridade está sempre em alteração de acordo com esse retorno. O sistema de fichas, por exemplo, estava láaaa na frente. Botamos para funcionar antes por conta dos pedidos.

O objetivo… é dominar o mundo! hahah, brincadeira. Mas a idéia é colocar sempre mais ferramentas para que o Taulukko sempre seja útil para qualquer sistema de regras e ajude jogadores e mestres a se encontrarem e se divertirem, estejam onde estiverem.

RPGV: Sobre o surgimento de tantos blogs e sites de rpg na rede, qual sua opinião sobre essa situação?

Ops, respondi lá em cima.

RPGV: Em sua opinião, quais os melhores lugares para se ler sobre rpg na internet? Excluindo o Talukko, é claro!

Gosto muito do Pop Dice. Aquele mequetrefe do Mr. Pop começou com tudo, né? Ele sempre tem postagens completas, pesquisadas, informativas. Gosto das discussões sobre jeitos de jogar da turma do Pensotopia. Os outros eu acompanho pelo RPG.Blogs (http://www.rpg.blog.br/). Sempre vem muita coisa boa.

RPGV: Como você vê hoje o Rpg na região onde mora atualmente? O que você faria para melhorar [se é que faria, é claro]?

Moro em São Paulo e acho que a cidade está até bem servida de eventos. Eu é que nunca vou, porque me falta tempo. Mas acredito que, para quem quer conhecer RPG ou encontrar mesas, basta ir atrás. Tem coisa no Bob´s, no Centro Cultural São Paulo, tem o Domingo RPG… volta e meia descubro um evento novo.

RPGV: Sobre a aplicação do Rpg para ensinar matérias escolares, você acha que traz bons resultados? E esse método está sendo bem aproveitado? Acha apropriado?

Acho muito apropriado. Sempre imagino como seria ter aprendido alguns momentos da História dessa maneira. Não teria como não se apaixonar, não? Mas isso demanda uma preparação e uma vontade do professor que é complicado de se exigir nas condições em que eles trabalham hoje. É mais fácil pensar nisso em escolas particulares no começo, e só nas mais abertas a novidades. Acho que é um esforço para bastante longo prazo e acho bacana quem se dispõe a fazer essa ponte entre o RPG e as escolas. Qualquer avanço é lucro.

RPGV: Você tem planos de trabalhar no desenvolvimento de materiais de rpg? Criação de canários, sistema próprio, ou algum outro projeto?

Não tenho o menor talento para isso. Mas me empolguei a tentar ajudar o pessoal dos blogs na criação de um mini-cenário coletivo. Vamos ver no que vai dar. 🙂

RPGV: Você se envolve na criação ou elaboração de eventos onde se jogue RPG? Por quê?

Sozinha, não. Mas se posso ajudar de alguma maneira, sempre tento. Um evento é sempre um bom jeito de conhecer gente nova.

RPGV: Qual sua opinião sobre a venda do material de rpg em Pdfs?

Acho complicado isso dar certo aqui no Brasil. Infelizmente brasileiro rejeita qualquer coisa se tiver que pagar por ela. Mas ainda acredito que, se a gente tem uma comunidade unida, isso incentiva quem pode a pagar para prestigiar e incentivar o autor para criar mais. É uma cultura que tem que ser formada aos poucos. Qualquer tentativa é válida.

RPGV: O que você acha de jogar pela internet? PbM, através de fóruns, pelo iRPG, Fantasy Grounds, ou [é claro] o próprio Taulukko… Você joga ou jogaria?

Jogar online tem suas vantagens e desvantagens. A principal vantagem é facilitar a marcação dos jogos, já que os jogadores não precisam estar sequer na mesma cidade. Isso permite jogar com gente nova, com quem não teríamos a chance de se divertir junto em uma mesa. Além de facilitar muito a vida de quem não fica à vontade para interpretar em uma mesa cheia de gente. A desvantagem é que o RPG de mesa, real, muitas vezes é só um pretexto para se reunir amigos queridos. Muitas vezes as horas de bate-papo antes, durante e depois do jogo em si é que valem mais a pena. Então um não substitui o outro. O bom mesmo é poder fazer as duas coisas. Ter ao menos um grupo de mesa real e vários online. rs

RPGV: Que conselho daria para os novos jogadores de rpg que ainda não se firmaram no hobby ou que ainda não acharam seu sistema favorito?

Continuar procurando. Há uma infinidade de sistemas e possíveis grupos. Espero que os sistemas online e os blogs ajudem esses jogadores a encontrarem a diversão que experimentamos em nossos jogos. 🙂

RPGV: Para encerrar boa sorte em seus projetos e gostaria de pedir para que você deixa-se uma mensagem aos jogadores, mestres e/ou simples leitores do nosso blog.

Obrigada!!!! Eu espero que essa rede cresça sempre assim, em colaboração. Que seja sempre uma grande turma de amigos que ganham-ganham com o crescimento do hobby.

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4 Respostas

  1. […] uma entrevista para o blog RPG Virtual, confere lá! Share and […]

  2. Obrigada pela entrevista 🙂

  3. Por nada. As personalidades mais fortes da blogsfera merecem seu prestígio…

  4. Cara, ficou muito bom, achei uma das melhores. Perguntas e respostas simples mas completas, com a dose certa de bom humor. Estão de parabéns!

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