Material para Leitores ou para Editores?

Segue uma carta enviada à Dragão Brasil, na edição #102, exatamente como está lá.

3D&T em Perigo

Malditos traidores! Vocês vivem falando que a m… da Licença Aberta D20 é uma revolução no RPG, que veio para unir o RPG, que vai atrair novos jogadores, etc. Mas é tudo mentira! Isso é MONOPÓLIO! Do jeito que vocês falam, parece que vai ser bom se D&D se tornar o único sistema. Como se todo mundo gostasse de D&D. Acreditem: existe gente que não acha D&D essa maravilha que vocês pensam.

Estou revoltado com essa atitude de só publicar D&D. Agora 3D&T virou um suplemento de Tormenta, Storyteller virou um “convidado de luxo” e GURPS… alguém aí lembra dele?

Vocês se lembram que 3D&T já foi um RPG para todos os gêneros e gostos? Lembram de Darkstalkers, Street Fighters e U.F.O. Team? 3D&T é o sistema mais jogado do Brasil, é aonda a maioria dos jogadores recentes começou, mas atualmente vocês só publicam 3D&T nas matérias para Tormenta [quando sobra algum espaço que o D&D não ocupou] ou uma adaptação de animes toscos.

Se continuar assim, em breve tudo vai voltar ao matar-pilhar-destruir. E vocês estão dando sua contribuição para que isso aconteça.

Jack, aventureiro cansado de tanto chutar o traseiro do Arsenal, Maceió/AL

 Agora segue a resposta do editor [que não era mais o Cassaro, e juro que não sei quem era].

PS: Não vou transcrever as piadas dos personagens da revista.

Bem, Jack… se você insiste no preconceito de que “D&D é apenas matar-pilhar-destruir”, não é surpresa que esteja desinformado sobre os benefícios que a Licença Aberta trouxe.

Os fatos não podem ser ignorados. A Licença Aberta D20 mudou o  RPG como conhecemos, e mudou para muit melhor. Com muitos jogos usando as mesmas regras, ficou mais fácil aprender a jogar, conhecer novos cenários, ensinar a novatos. O selo D20 também está permitindo o surgimento de novas editoras e oferecendo chances a novos autores.

O aumento de D&D em nossas páginas apenas reflete a preferência da maioria dos leitores. Adaptar animês não é algo que fazemos “atualmente”, mas desde que 3D&T surgiu – e até mesmo antes, para outros sistemas. Aliás, você se queixa de adaptações, mas cita justamente Street Fighter e Darkstalkers?!

GURPS anda ausente porque tem sido menos jogado, já que lançamentos para este jogo estão cada vez mais escassos. Storyteller recebe matérias regularmente, como o recente Hunter. ai está.

Relendo isso e vendo a postura da Dragon Slayer imagino: quando teremos uma material profissional feito para os leitores e não para os autores?

A DS, através de seus autores, diz que não vai adotar a nova edição de D&D, por que acham que a edição anterior é melhor [menor custo?]. Já imaginaram se os editores da revista Herói [nem sei se ainda existe] gostassem de personagens tradicionais e não gostassem de personagens de animes? A revista deixaria de ter a temática que tem [falar de heróis] para falar dos heróis que os editores gostam.

Isso faz com que a revista seja feita COM os gostos pessoais dos redatores e PARA os seus fãs.

Tudo bem, pode ser a única revista brasileira especializada em RPG [D&D/Tormenta?], mas dizer que é a melhor parece tão estranho, sendo que não há concorrência e que ela não fala de RPG, mas sim de um único sistema. Ela não é uma revista de RPG, mas sim de Sistemas OGL.

Qualquer sistema OGL é RPG, mas nem todo RPG é um sistema OGL.

E sem contar que não acho que D&D seja, nem de perto, um sistema para ser ensinado a iniciantes. Complicado e longo, não acho que ele seja melhor [para iniciantes] que Daemon, 3D&T ou ACN. Esses sim, sistemas simples.

O autor da resposta fala que com D&D ficou mais fácil de se aprender a jogar, aprender novos cenários e ensinar a novatos. Discordo totalmente dessa parte, não só dele, mas de qualquer um que afirmar isso. Com D&D e sua licença aberta, acho que as coisas ficaram muito mais bagunçada para os novatos.

Veja atualmente como anda a situação:

A licença aberta gerou: BESM D20, FUBAR, D20 Modern, D&D, Mutantes & Malfeitores, Arcana Evoluída, Ação, 4D&T [?!], Pathfinder e tantos outros que é impossível dizer que é fácil de ensinar a um novato por que ele precisa aprender um único sistema. Acho que aconteceu exatamente o contrário. Para cada cenário que você quer aprender, teria que aprender um conjunto de regras diferentes, derivados de um só sistema.

GURPS, segundo o autor da resposta estava sendo ‘menos jogado’ por que os lançamentos para esse jogo estavam cada vez mais escassos. Me pergunto: E desde quando um sistema deixa de ser jogado por que não tem suplementos novos? Alguém acha mesmo que, os jogadores de Gurps Supers [por exemplo] deixaram de jogar por que a Devir não produz mais o suplemento? Acham mesmo que alguém que jogava em Yrth, não joga por que a Devir não tem mais o Gurps Magia à venda?

Citei essa carta, pois ela retrata bem a visão de muitos editores e autores de RPG’s do Brasil. Não é uma crítica a um autor ou a outro, mas sim à todos os que escrevem RPG por gosto pessoal e dizem que é feito por que é o que agrada à maioria. Blefe…

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11 Respostas

  1. A revista deixaria de ter a temática que tem [falar de heróis] para falar dos heróis que os editores gostam.

    E daí? Sério. Quem define a linha editorial é o editor. O leitor, se não gosta de como é essa linha, para de comprar. Fácil, simples pra caralho. Mesmo assim tem gente que não entende.

    Ela não é uma revista de RPG, mas sim de Sistemas OGL.

    Parabéns. Você descobriu o que eles deixaram claro desde o primeiro número da revista.

    • Nume, você concorda comigo que a revista Fuxico [acho que se escreve assim] vende fofoca de estrelas que os editores gostam ou de estrelas que o público quer ver?
      Você acha que a revista Placar fala dos times dos editores ou dos leitores. Acho que isso define o sucesso. Editores tem que escrever para o público e não para eles. Acho que a mentalidade de escrever o que agrada a si mesmo é coisa de blogueiro [e com razão].

      Exatamente. As tiragens da DS não aumentam justamente por que “se o leitor não gosta dessa linha, para de comprar. Fácil, simples pra caralho”.

      Ela não é uma revista de RPG, mas sim de Sistemas OGL. Iso não é uma descoberta muito miraculosa, né :)! Mas não é essa a propaganda. A propaganda é que a revista é de RPG.
      Por que a Placar não bota em suas páginas que é a maior revista de esporte do mercado? Por que ela não fala de esportes, mas só de futebol. Exatamente como a DS. Ela não fala de RPG’s, mas de OGL’s.
      Creio que você tenha entendido isso no texto e quis fazer alguma piada, né!

      • Cara, o que rola é que o que o público quer ver é o que o editor quer mostrar. É como o Valberto disse. Existe um público para a linha editorial da revista. Você não faz parte deste público. Paciência.

        Outra coisa: a DS é uma revista de RPG. Mas uma revista de RPG especializada em sistemas OGL. Ela não deixa de ser uma revista de RPG por isso da mesma forma que a Placar não deixa de ser uma revista de esportes porque trata exclusivamente do futebol.

        E sim, eu tava tirando uma com a sua cara. Mas você pediu, vai! 😀

  2. “GURPS anda ausente porque tem sido menos jogado, já que lançamentos para este jogo estão cada vez mais escassos.”

    Se isso se refere ao mercado nacional, está errado: lançamentos de Gurps não estão “escassos”, e sim “nulos”, porque já faz algum tempo não há nada de novo. Se está se referindo ao mercado gringo, está errado também. Em 4 anos e meio a SJ Games lançou 45 títulos (média de 10/ano), sendo pelo menos 2 ou 3 títulos “grandes-lançamentos-de-capa-dura” por ano. Eu não chamo isso de “lançamentos escassos”…

  3. Na época que essa revista foi as bancas, Mamangava, GURPS no Brasil tinha, sim, lançamentos escassos, já que fazia “apenas” um ano e pouco que GURPS Artes Marciais tinha saído.

    E de boa. Você pode amar GURPS. Seu vizinho pode amar GURPS. Mas GURPS não sustenta mais do que uma fatia minuscula do mercado no Brasil. Isso era um fato naquela época e é um fato agora.

    Claro, se alguma editora voltasse a investir no jogo, lançasse a 4E dele por aqui e fizesse uma boa publicidade, ele poderia voltar a ser um dos grandes. Mas ficar chorando quando alguém diz que não se joga mais GURPS é puro #mimimi e falta de senso de realidade.

    • Em nenhuma parte da pergunta ou da resposta fala em nada de GURPS ‘no Brasil’. GURPS ainda é um dos sistema mais jogados do mundo.
      Caso o autor da resposta fosse um pouco mais coerente e estivesse falando de material em português, ele não teria citado justamente Hunter [que todos sabemos que não existe em português].

      Quanto à essa ‘fatia minúscula’ sinceramente [posso até estar errado! quem sabe:)], acho que você é mais um, como nós, que fala o que ‘acha’ e não o que pode ‘dar certeza’.

      Existe um sistema, que dizem por aí, é um dos mais jogados do Brasil, mas não acho que está realmente entre os mais jogados. O problema é que não tenho como afirmar isso. Acho que por isso nem teço esse tipo de comentário.

      E pode parecer que eu fiz esse post por ser fã de Gurps, mas não foi. A idéia não tem nada a ver com esse assunto.

      • Meu comentário foi em resposta ao Mamangava, mas vá lá.

        Sobre achar e ter certeza… Cara, eu posso dizer com certeza que nenhum suplemento de GURPS foi lançado há, sei lá, pelo menos uns cinco anos? Isso diz alguma coisa, não? E por isso eu posso achar que se GURPS desse dinheiro para a Devir, ela não iria abandona-lo. É triste, mas verdade.

  4. Na boa, até entendo a postagem desabafo, mas será que vc não pode considerar a possibilidade de haverem pessoas que gostam desse tipo de abordagem feita pelo editor e daí por que a revista vende? sabe eu demorei para perceber isso, mas quando o fiz foi realmente libertador.

  5. Sei que tem gente que gosta, tanto que a DS vende e a DB vendia.
    Só não acho que seja a maneira mais correta de trabalhar. Penso assim tentando comparar com qualquer publicação [livro ou revista] especializada num assunto qualquer.

    Mas que tem quem goste, isso é indiscutível. Há, com certeza…

  6. Bom, entre achar e ter certeza todo mundo tem mesmo direito é de achar. Eu tb acho que a taxa de juros do Banco Central deveria ser diferente e que o Lula deveria ser preso e chicoteado diariamente até o fim de sua miserável vida, mas até aí, morre no eu acho e não no é o que deve acontecer nas próximas semanas.
    Eu entendo o seu ponto companheiro. Sério mesmo. Mas vc está latindo para a arvore errada. Não adianta querer que a DS desempenhe um papel que eles não vão fazer por uma série de N motivos. É como querer que um cachorro mie, ou que um peixe saia por aí latindo. Não vai rolar, nem com Photoshop.
    O que rola, mesmo, é vc usar a blogsfera como a sua revista de RPG. Eu uso faz anos e não sinto falta de nenhuma revista de rpg, assim como não sinto falta de revistas de videogame, nem de rock…
    mas se vc quer mudar mesmo, faz como um rapaz que bateu na porta de Enzo Ferrari com um monte de alterações legais para a sua Ferrari. Enzo enxotou o cara de lá, mas o tiozinho não se deu por vencido e criou seu próprio carro. Nome do cara? Um tal de Lamborguini…

  7. Mas gente, então acho que eu realmente me expressei mal. Pode até ficar parecendo que escrevi isso para falar da Dragon Slayer, mas não foi. Citei Gurps, exatamente por que acho que a Devir [por exemplo] também faz isso.
    Call of Chtullu, Gurps, Hunter e vários outros jogos poderiam fazer sucesso, se fosse tentado algo do tipo. Não se pode dizer que vai fazer sucesso com certeza, do mesmo modo que não podemos dizer que a Devir vai vender montes e montes de D&D 4. Pode acontecer, mas não é certeza.

    Desde que a DB foi cancelada, deixei de gastar meu dinheiro com ‘revista de RPG’. Só vejo as revistas digitais por que posso escolher sobre que tema eu vou ler. E como o Valberto disse, a blogsfera está me abastecendo muito bem com material, idéias e tudo de bom, relacionado à RPG.

    E Nume, respeito sua opinião, mas continuo discordando de você. Eu respondo a sua pergunta com outra pergunta. Se Gurps não vendesse, por que a Devir se daria ao trabalho de ter prejuízo comprando a licença e não lançando ao invés de deixar outra editora tentar lançar o Gurps para vender? Será que Gurps incomodaria as vendas de Devir tanto que eles preferem ter o prejuízo impedindo outros de fazerem, que deixando outra editora tentar vender?

    E mais uma vez peço desculpa por ter deixado parecer que estou falando da revista. Não sou comprador, mas leio todas as edições. Nunca me interessei em comprar por eles falarem de algo que não me interessa. Assim como deixei de comprar livros da Deivr, por que eles estão escrevendo material que também não me interessa. E a Jambô com seus D20’s e 3D&T está saindo, infelizmente, das minhas opções também.

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