Falando em HQ’s…

TEMPO DE PARANOIA
Invasão Secreta, série da Marvel que começa este mês mostra o quanto a cronologia Marvel é coesa e legitima o talento de seu escritor Brian Michael Bendis, principal arquiteto de mudanças na editora

Uma raça alienígena se infiltrou durante décadas no planeta Terra e agora dá cabo de seu plano terrível para dominar o mundo. Com esta premissa quase simplória a Marvel concebeu sua nova saga Invasão Secreta, que traz a raça transmorfa skrull, conhecidos personagens da editora para o centro das atenções do Universo. No Brasil, as primeiras histórias começaram a sair neste mês nas revistas mensais publicadas pela Panini Comics. O sucesso da saga, que movimentou o mercado editorial norte-americano atende por um nome: Brian Michael Bendis.

O autor de Powers, Guerra Secreta e responsável pela melhor fase do Demolidor em 20 anos é, atualmente, o principal arquiteto de mudanças dentro da Marvel Comics. Ele inaugurou neste século uma nova fase, onde os acontecimentos mudam de fato a cronologia e cotidianos dos super-heróis. “O universo Marvel nunca mais será o mesmo”, afirmou Bendis ao site da revista Entertainment Weekly. Por mais clichê que a frase possa parecer, ele está certo se levarmos em conta as últimas sagas publicadas. Dinastia M, Guerra Secreta e Guerra Civil de fato provocaram mudanças significativas que até hoje repercutem. As duas mais importantes atingem quase todos os títulos da editora: a morte do Capitão América e a ascenção do Homem de Ferro como uma espécie de “comandante do mundo”.

Invasão Secreta também deixa explícito o quanto a cronologia Marvel é coesa, diferentemente de sua concorrente, a DC, que há décadas tenta colocar seu universo nos eixos, numa série de crises (a última saga Crise Final, não foi entendida nem pelos chefões da editora). Um olhar distanciado (leia-se não obcecado) só consente que se trata de um processo de implosão. Já na Marvel, as sagas seguem uma lógica mais fácil de acompanhar. Desde Vingadores: A Queda, que provocou uma revolução num dos mais conhecidos grupos da editora, até esta Invasão Secreta, tudo se entrelaçou de maneira coerente aos olhos do leitor. As vendas também responderam bem. A primeira edição de Invasão Secreta se esgotou na primeira semana de lançamento nos EUA.

Esta nova invasão skrull relaciona fatos dos primórdios da editora, como a Guerra Kree-Skrull, nos anos setenta, passando por diversos episódios importantes de grupos como Quarteto Fantástico, X-Men, Vingadores, e quase todo o elenco da editora. A convivência desses seres verdes de queixo serrilhado entre nós é tão antiga que eles estiveram presentes na edição número 2 da revista Fantastic Four, lançada em 1962 nos EUA (capa da edição ao lado).

Paranoia
A série de eventos que jogou o Universo Marvel para uma aparente desestruturação teve como intuito erodir a dicotomia herói-vilão que ainda persistia até o início desta década. Com o amadurecimento do público, autores como Brian Michael Bendis passaram a explorar a psicologia dos personagens além do “protejer a humanidade e fazer o bem”. O que ele e outros autores como Mark Millar e J. Michael Straczynski fizeram foi explorar uma vocação da Marvel em traduzir melhor a realidade nos quadrinhos.

E é na paranoia da atual sociedade norte-americana pós-11 de Setembro que Invasão Secreta se apoia. “A leitura que se deve fazer de Invasão Secreta é que não é possível saber em que podemos confiar, nem mesmo em nossos amigos e família”, afirmou Bendis à EW. A Marvel iniciou uma campanha promocional pesada meses antes da saga, com o slogan “em quem você confia?”. Nas fotos, personagens icônicos à penumbra denunciando serem skrulls. Houve até mesmo um marketing viral chamado de “embrace the change” (abraçe a mudança), que utilizava pessoas reais e levava em conta a presença dos skrulls na sociedade atual.

Invasão Secreta, assim como outras sagas recentes, especialmente a Guerra Civil, se assemelham aos anos 1980-90 para conduzir suas histórias, interligando todo o universo de títulos. Só no Brasil serão XX revistas para se acompanhar toda a série. Há quem reclame do estilo mercenário da Marvel, mas há um elogio ao fato de seus autores estarem tão bem alinhados, criando uma sensação de coerência à leitura. A Invasão Secreta segue numa minissérie em oito partes que chegou às bancas esta semana. Já no número de abertura, Brian Bendis subverte uma lógica comum desse tipo de leitura. Ao leitor, já são revelados os skrulls inflitrados e acontecem catástrofes como a destruição da sede do Quarteto Fantástico, o edifício Baxter. Vamos esperar para ver como Bendis irá prende a atenção nos próximos números.

*****

DONOS DO MUNDO
De como Brian Michael Bendis, Jeph Loeb, Mark Millar e Ed Brubaker definem os rumos do Universo Marvel em reuniões à base do grito

Os Iluminatti no Universo Marvel é uma sociedade secreta formada pelos mais poderosos e influentes seres da Terra (a saber: Reed Richards, o Sr. Fantástico, Doutor Estranho, Homem de Ferro, Namor e Raio Negro, dos Inumanos). São eles que, com mais prepotência que altruísmo, decidem o destino do planeta. Numa escala menos fictícia, a gigantesca gama de roteiristas e criadores da editora também tem seu Iluminatti. São os autores Brian Michael Bendis, Jeph Loeb, Ed Brubaker e Mark Millar. As obras desses quatro redefiniram o rumo da Marvel nos anos 00 e servem de base para praticamente todos os títulos produzidos hoje.

Invasão Secreta saiu da mente de Brian Bendis, mas são os quatro que definem conceitos e resolução de acontecimentos importantes. Bendis explica como funciona o método de trabalho do time: uma sala, todos gritando e discutindo ao mesmo tempo. “Se aquela ideia sobreviver à sala, ela irá sobreviver à Internet”, diz, se referindo ao crivo cada vez mais rigoroso dos fãs que acompanham tudo pela rede antes mesmo de chegar às lojas. São essas conversas que definiram fatos importantes do passado recente da editora: a loucura da Feiticeira Escarlate, a destruição dos Vingadores, a morte do Capitão América, volta do Nick Fury, e mais uma dezena de coisas.

MARK MILLAR
Este autor escocês de 36 anos escreveu talvez a mais importante série da Marvel em tempos recentes: Guerra Civil. A história colocou em conflito todos os heróis, polarizados sobre a lei de registro de super-humanos. Atualmente, os Vingadores se tornaram um grupo de renegados procurados, enquanto Homem de Ferro comanda uma legião de supers nos EUA dispostos a caçar insurgentes. A Invasão Secreta pode ser o fator que trará a união novamente aos heróis, agora unidos contra um inimigo comum. Mas, com a descoberta da Mulher-Aranha como uma skrull, não existe muita confiança que possibilite formam uma aliança. [Paulo Floro]

JEPH LOEB
Seus trabalhos mais notáveis são na DC Comics (Batman O Longo Dia das Bruxas e Superman As Quatro Estações pra citar alguns), mas Loeb esteve por trás de produtos importantes da Marvel, como a série cromática Hulk: Cinza, Demolidor: Amarelo, etc, ao lado do parceiro Tim Sale e a repercussão da morte do Capitão América.

ED BRUBAKER
Seus roteiros à frente do título Uncanny X-Men (Fabulosos X-Men aqui no Brasil) o fizeram popular, mas é a fase na revista do Capitão América que traduzem a importância deste autor americano de 43 anos. Foi ele quem “matou” um dos maiores mitos da história americana, sendo destaque até no prestigioso jornal The New York Times. Brubaker atualmente escreve o título, mesmo após a morte do Capitão. Por esta sua passagem, ele já recebeu dois prêmios Eisner, o mais importante dos quadrinhos.

BRIAN MICHAEL BENDIS
Principal cabeça das mudanças, Bendis escreveu três importantes sagas: Dinastia M, Vingadores – A Queda e Guerra Secreta. As três tem importância crucial na Invasão Secreta. A Queda pode ser chamada de marco inicial das transformações que a Marvel sofreria, com a desestruturação de uma das equipes mais importantes da editora. A partir daí, Bendis foi cultivando com esmero uma trama que ligadas à outras como a Morte do Capitão América e Guerra Civil levaram à intricada Invasão Secreta dos Skrulls. Bendis ainda afirma que desde o início já criou diálogos e acontecimentos tendo em mente os skrulls infiltrados, caso da Mulher-Aranha e Raio Negro (na HQ dos Iluminatti). Quase onipresente, o autor ainda assina o título dos Novos Vingadores, de longe o supergrupo mais relevante da Marvel atualmente.

Fonte: Revista O Grito!

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2 Respostas

  1. A Matéria é boa e as imagens são bacanas também.

    Ah, obrigado por adicionar meu Blog!

    Abrçs e Bons Jogos.

  2. […] 23/04 – Falando em HQ’s… […]

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