Sou Gurpeiro, mas também comprei D&D…

Sou jogador de Gurps, adorador do sistema que continua sendo o melhor no que se propõe [na minha humilde opinião], mas terminei que comprei o Livro do Jogador de D&D. Mais pela vontade de conhecer e poder falar bem ou mal do sistema. Para poder criticar algo que eu conheço e não algo de que eu ouvi falar.

O livro ficou bem organizado, muito melhor que as edições anteriores. Cada classe tem todos seus poderes organizados dentro de seu sub-capítulo, assim como cada raça. O combate parece não ter mudado muita coisa, senão pelos Pontos de Ação e Pulsos de Cura. Claro, mudou mais que isso, mas para mim foi o que ficou mais evidente [dentro do combate]. Os itens mágicos no livro do jogador foi perfeito, já que são os jogadores os maiores interessados neles. As Perícias, confesso que não me agradou de todo. Não fiquei convencido com a idéia de um personagem não poder ser totalmente especializado em uma única perícia. Como seria explicado um anão guerreiro que deixou a vida de aventureiro e que quer se dedicar única e exclusivamente à forjaria? Como ele pode evoluir SÓ uma perícia voltada para esse ramo de trabalho? Se as perícias cobrem esses exemplos, eu ainda não li sobre [e peço desculpas antecipadas se eu estiver errado].

Ainda não me entrou na cabeça [por tradicionalismo mesmo, não por teimosia] a imagem de um herói com cara de ‘demônio’ como são os tieflings ou draconatos, assim como eram os meio-orcs. Diga-me: se você fosse conde ou lorde de suas terras e um grupo composto por heróis, todos dessas duas raças, você os daria uma importante missão para realizarem, contendo um segredo seu, por exemplo? Há quem ache que sim, mas continua me soando estranho. Principalmente em D&D, onde a temática de Bem Vs. Mal é tão presente. Tudo bem, isso é RPG, mas todos sabemos que as pessoas são assim. Temem o que não conhecem. [Os rpgistas que o digam!]

Não vi nada sobre miniaturas que não fosse necessário na edição anterior.

Não pude deixar de notar algo realmente muito constrangedor. O sistema utilizado em Ragnarok Online [MMORPG] é idêntico ao novo D&D, sendo que o MMO é muito mais velho.

Não! Não estou reclamando, nem criticando. Estou comentando.

Cura em Combate, Regeneração, Ataque de Oportunidade, Alternância, Vantagem de Combate, Golpe Fulminante, etc, etc, etc…

Muitos desses nomes e habilidades já existiam, mas alguns são idênticos ao jogo.

Classe, Trilha Exemplar e Destino Épico. Em Ragnarok há as classes. O jogador é um aprendiz até conhecer os conceitos básicos. Logo depois pode se tornar um Espadachim [por exemplo], depois de alguns níveis pode se tornar um Templário ou Cavaleiro, depois Lorde [no caso do Espadachim].

Em Ragnarok há a SP, energia utilizada para realizar as façanhas, impedindo que o jogador faça uso somente delas para vencer todos os desafios [Poder por Encontro?].

Talentos por estágio são exatamente como no MMO.

Ou seja, acho que a troca do sistema atual pelo utilizado na versão anterior foi boa e trouxe melhorias. Acho que jogo ficou mais dinâmico [pelo pouco que vi até agora] e a questão de parecer tanto com um jogo eletrônico deixa a impressão de que logo logo tudo vai ser através de uma máquina.

Se esse é realmente o destino, posso garantir que vou continuar jogando Gurps por muitos e muitos anos.

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8 Respostas

  1. Opa, falou de 4e Bem ou Mal, to na área.

    Acho que na nova edição a wizards mudou alguns conceitos e “esqueceu de avisar”. Digo, ela não se importou com os que já eram jogadores de D&D (tem gente que joga há mais de 30 anos) ou de qualquer outro RPG. Ela tratou a todos como iniciantes.
    Assim, um iniciante não ficará sobrecarregado com informaçoes que ele deverá adquirir comprando suplementos e pagando a DDI (sim, malditos capitalistas) e os veteranos não precisam ler tudo aquilo novamente (Oh, o lord stradt virou apenas um bloco de monstro…Se liga pow, se você é veterano o suficiente pra saber da importancia deste cara então vc JÁ SABE de todo o fluff dele. Se voce é iniciante, você não vai nem saber o que tá perdendo).
    Quanto a proximidade com MMO, eu particularmente não jogo nenhum, pq se começar perco a vida social, mas parece evidente e seria até tolice negar. Eu creio que foi mesmo proposital e não acho isso tão ruim. Afinal, o D&D influenciou muitos MMOs por ae e eles contaram com jogadores de D&D para dar uma alavancada. Da mesma forma agora o D&D se utiliza deles para chamar público. O mundo mudou, as mídias mudaram. A nova geração de RPGistas vai achar isso muito normal.
    O lance das pericias poderiam sim ter ficado mais especificas. Mas parece que eles deram esta Enxugada, que é para a coisa ficar mais rápida., Porém uma coisa tem sempre que ser lembrada: O livro do jogador é para jogadores. É para se construir heróis e não NPCs. Um taverneiro, um armoreiro, um ferreiro, eles não usam as mesmas regras que um herói. No 4e o distanciamento entre Herói e povão é muito clara. Muitas pessoas não gostaram disto, acham que heróis tem que ser pessoas comuns e seguir as mesmas regras que elas. Eu não posso criticar quem pense assim. Posso dizer apenas que a minha visão de PJ sempre foi de que eles eram mais que os outros, afinal tem uma campanha inteira sendo contada a respeito deste grupo de 4 a 6 pessoas.
    E a respeito de ele se virar para o lado máquina, eu penso que não. Eu penso que sim, o D&D vai cada vez mais aproveitar as novas tecnologias e seria um erro mercadológico não fazê-lo. Mas a mesa de jogo nunca vai deixar de existir. “Zhe game is zhe same…”

    Ops, ficou grande!
    Mas eu sempre me empolgo ao falar de 4e, pois acho que ele trouxe mais beneficios que maleficios á mesa de jogo.

    • Eu ia até comentar, mas o Ooze já falou tudo mesmo… 😀

      Se estou fazendo meus jogadores felizes e me divertindo com eles, tá valendo!

    • Opa. Valeu pelo jorn… digo, comentário Ooze…
      Que bom que vocês entenderam como uma opinião. Já cheguei a falar algo parecido de outros livros e algumas pessoas me criticaram fortemente por isso.

      Como disse, gostei do livro, me pareceu mais ‘feito na medida’ para se jogar RPG. Simples e prático. Simples assim, até que se aprenda as regras, mas que sistema não é assim, né…

      Fernando, o pensamento é exatamente esse. Sou gurpeiro, mas D&Dé que faz uma par de gente feliz, então não se pode negar as tendências…, exatamente como também disse o Tsu…

  2. eu tb sou gurpeiro mas to jogando D&D.
    mais pq meu grupo prefere.

    • eu também sou Gurpeiro, jogava D&D, converti todo o grupo para GURPS e agora jogamos GURPS, apesar das pessoas ficarem com alguns contras do sistema por conhecerem só MMO, exemplos:
      como assim não tem classe e nível???
      como assim um guerreiro ultra fodão de 1000 pontos perde para um exército???
      quer dizer que não é obrigado a ser medieval???

      o foda é que eu nunca joguei e estou mestrando, mas mesmo assim eles estão achando bem melhor que D&D

  3. D&D = Ragnarock? Tipo, todos os MMORPG são muito parecidos com D&D. Assim como os velhos rpgs de computador também eram. Um puxa do outro. São mídias diferentes pra mesma coisa. Sempre foi….

    “Em Ragnarok há a SP, energia utilizada para realizar as façanhas, impedindo que o jogador faça uso somente delas para vencer todos os desafios [Poder por Encontro?].”

    D&D ainda não tem MP, ele usa a mesma métrica do Storyteller(poderes por cena). SP=MP=PP, power points são velhos conhecidos de D&D. Poderes psiônicos existem desda primeira edição. E a mecânica de SP=MP=AP=PP é muito difundida em rpgs eletrônicos(vide o Final Fantasy que copiou D&D recebeu duras críticas nessa parte), e raríssima em jogos de mesa. Tirando 3D&T e alguns antecessores.

  4. Com a 4ª Edição a Wizards tentou resolver dois de seus maiores problemas: A escasses cada vez maior de novos adeptos ao hobby, o que provoca baixa nas vendas; e o enorme “baque” comercial que vinha tendo por conta da licença aberta (OGL).
    Se para sanar tais problemas era preciso uma nova edição, (visto que OGL era irrevogável) então corrigir vários problemas mecânicos da edição anterior pode ser considerado um “bônus” para os jogadores de D&D, que há muito não tinham um RPG tão dinâmico.
    Eu gostei de D&D 4ª Edição. Gostei é lógico porque não ganhava dinheiro com a 3ª e a OGL. Se ganhasse estaria &¨%$#@ da vida com a Wizards of the Coast, com a Hasbro, com deus e por aí vai, vide de onde mais vem críticas ao novo D&D. Entre os jogadores há os que mais aprovam e os que não, como sempre houve, entre os game designers começou o que chamo de “PATHFIDERISMO”, rs.
    Parabéns pelo espaço, ótimo matéria. Estou as ordens em: http://reinosemnome.wordpress.com/

  5. Eu sou gurpeiro, quero jogar Gurps 4th, mas a marvada ainda não foi traduzida, o que complica na hora de ensinar e estimular o uso do sistema.

    Continuem assim, divulgado o RPG aos quatro cantos!!

    Um abraço,
    Prof_Michel

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