Se a 4E de D&D não é um RPG você esta jogando-a errado!

Acho que muita gente já esta cansando da Guerra entre as edições… Mas sabe como é sempre aparece um post relacionados sobre isso… Antes de qualquer coisa, eu sou fã da 4 edição mas longe de querer ficar por ai dizendo as qualidades da quarta edição resolvi traduzir um post que encontrei na internet no blog Greywulf’s Lair: If 4e isn’t a role-playing game you’re doing it wrong!
Resolvi traduzir este post porque a opinião do autor coincide com a minha opinião sobre alguns dos argumentos utilizados contra a 4E de D&D. Vamos deixar de conversa e vamos logo para essa tradução (o material traduzido estará entre aspas, o resto é texto meu).

Um fato simples é que esta virando uma lenda urbana que a 4E de D&D não é um RPG no sentido tradicional. Como todas as melhores lendas ou contos, se um numero suficiente de pessoas começa a repetir a estória ela tomará vida própria que as pessoas que até as pessoas que conhecem melhor a estória passam a acreditar nas lendas.É como o mito sobre o assassino selvagem do machado que vive numa cabana no meio da floresta. Só que sem o machado… Ou o Assassino, Ou a cabana. Na verdade não existe nem mesmo a floresta. Mas se bastante pessoas falarem isso, deve ser verdade, certo?
Errado.
E eu vou provar isto também. De novo.
Aqui nos temos uma Masmorra aleatória cortesia do brilhante gerador aleatório de Masmorras Demonweb.
Isto é algo que eu costumo usar para aqueles momentos quando eu quero executar uma Masmorra rápida ou quando eu quero um ponta pé inicial de um mapa para um cenário. Este site ainda oferece estatísticas iniciais d20 completas (em inglês) para você. Um material pronto para começar, Sr DM preguiçoso! No caso apresentado no mapa no site d GreywulfHá um “Zombie Troglodyte” na sala 1, um guerreiro Duerguar e um tesouro escondido na sala 3, uma “Mountrous centipede” Grande na sala 4 e um enxame de aranha na sala 5. A sala 2 (felizmente) está vazia, apesar das portas conter uma armadilha (boobytrapped).

Um detalhe é que eu não conhecia este site, o achei bem interessante e ele agora esta nos meus favoritos. Você pode mexer em alguns parâmetros e pedir para ele gerar a dungeon pra você… se você estiver só interessado no mapa é só escolher Details None! Adicionei duas imagens de Masmorras que eu criei enquanto brincava no site.

Mapa 1 criado no demomweb
Mapa 2 criado no demonweb - estilo steampunk

Acho que este é momento de dizer que um jogador “chato” falaria: “Mas este não é um jogo de RPG”. Todos os ingredientes já estão lá para um clássico jogo de Masmorras no estilo chutar a porta e pilhar tesouros já que temos corredores sombrios, tesouros, armadilhas e monstros colocados em salas de uma forma ilógica. O que transforma este jogo em um RPG é a interação entre os jogadores e o DM. Os jogadores podem tentar negociar com o Guerreiro Duegar, ou atrair o “Trog Zombie” para o enxame de aranhas. Talvez o Guerreiro impetuoso irá acionar a armadilha da porta enquanto o Ladino está ocupado “batendo” os bolsos do Mago.
Agora, vamos dar uma olhada no segundo encontro presente no livro Dungeon Delve: Coppernight Hold.

Abrindo mais um parêntese na tradução:
Eu particularmente gostei muito deste livro. Até já usei um dos encontros dele num encontro de RPG aqui em Viçosa e foi mortal… rsrsrs! O Dungeon Delve na verdade traz uma seqüência de 3 encontros prontos para cada nível. Você pode utilizá-lo como ponto de partida para aventuras ou usá-lo como um desafio da habilidade num bom DM VS Jogadores naqueles dias que você não esta a fim de dar continuidade na sua campanha.

Este encontro contém 5 Kobolds – 3 “Dragonshields”, um “Skirmisher” e um “Wyrmpriest”. Existem duas armadilhas (a estátua e tapeçarias), uma parte de terreno dificultoso e uma pequena quantidade de tesouro a ser pilhado. Em outras palavras, praticamente as mesmas coisas que você encontraria em uma ou duas salas em qualquer outra edição de D&D. Em média, é como uma pequena parte dos mapas de nossas masmorras. De fato eu poderia facilmente encaixar este encontro acima da sala 22no canto inferior esquerdo (do primeiro mapa que ele citou).
Dado a escolha entre um encontro rico como o apresentado acima e um encontro típico da terceira edição que geralmente significa um monstro contra 4 PdJ´s e que o equilíbrio significa que os PdJ´s devem perder um quarto de seus pontos de vida, Eu fico com o proposto pela 4E todas as vezes.
Vou dizer de novo, o que torna este encontro um RPG é a interação entre os jogadores e o Mestre.
Se você jogar como um jogo de tabuleiro então é isso o que ele é. Jogue-o como um RPG e ele será um RPG, e um maldito bom RPG também. Cada personagem tem suas opções que vão muito além do combate, incluindo tudo aquilo que é possível em um D&D Old School e suas variações. De fato, esta é uma edição de D&D que fica fácil para o DM de dizer “SIM” para a idéia mais louca que o jogador sugerir. Se o bárbaro quer derrubar estátua em cima dos Kobolds, ele pode. Se ele quiser destravar uma maldita fechadura ele pode ao menos tentar. Se eles quiserem negociar com os Kobolds e talvez conseguir uma ou duas dicas sobre o que espera por eles nas profundezas da Masmorra, eles podem. Eu digo que a 4E do D&D possui um dos melhores mecanismos de combate são desenvlvidos para o RPG – com ou sem mapa de batalha.
O principal problema tem sido o de percepção, e a culpa disto cai sobre os ombros do Livro dos Jogadores. Isso se o livro dos jogadores tivesse ombros é claro. Dos três livros básicos é o mais mal escrito (desculpe, Rob, Andy e James) pois enfatiza demais o combate. As opções de “backgrounds” deveriam estar presentes nele desde o inicio, juntamente com um guia para iniciantes de como fazer personagens de como fazer personagens interessantes e divertidos. Deveria ter uma discussão sobre peculiaridades e traços de personalidade. Cinco paginas gastas sobre interpretação e menos espaços gasto com 1001 formas diferentes de ferir pessoas teria feito uma grande diferença.
Em comparação o Livro do Meste está repleto de maravilhas para interpretação; há conselhos sobre a construção de mundo, tecendo enredos, elaborando NPC´s memoráveis e muito mais. É quase como se fosse dois jogos completamente diferentes.

A minha opinião pessoal é que realmente o livro dos Mestres ficou muito bom, um dos melhore que já li, mas não está perfeito. Estou louco para ver o livro dos mestres 2. E tenho que concordar um pouco que ficou faltando mais descrições nas classes no livro do jogador!

Mas o que já esta feito está feito. A WotC reconheceu esta gafe em particular, dobrou-se e vem corrigindo os erros passados nas publicações recentes e online.
Então, sim. A 4e D & D é um RPG. E se alguém lhe dizer o contrário: eles estão enganados.

Pois é pessoal, isto é tudo… comentem, falem bem ou mal… mas falem sobre este post… só não podemos esquecer que bom é jogar RPG (independente da edição… mas se você não joga a 4E eu só lamento… rsrsrs, ah e a propósito eu apoio a campanha BOM É JOGAR RPG)

Fonte: If 4e isn’t a role-playing game you’re doing it wrong!

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17 Respostas

  1. Só lembrando que ‘jogar errado’ não existe. Você dá um tiro no pé ao tentar defender seu ponto com uma frase assim, afinal, D&D 4E pode mesmo não ser um rpg pra quem tem outra visão do jogo. A única maneira de não jogar errado é não se divertir, não?

    • Concordo com o seu ponto de vista Daniel… mas preferi fazer uma tradução mais literal do titulo original!
      Na verdade é mais divertido em um grupo pode ser desastroso em outro… Realmente o mais importante é o pessoal se divertir, se todo mundo do grupo gosta de jogar qualquer edição no estilo wargamer, apena focando em estrategia, Combos e tal, sem problema… Agora num grupo com gostos variados alguem com certeza ia achar uma sessão destas um saco… Quem tem que conhecer o próprio grupo é o DM! Se ele não for capaz de proporcionar diversão ao grupo como um todo… ai sim ele falhou…

      • Ah sim, realmente a tradução tem de ser fiel mesmo rs. No meu comentário, na verdade o “você” se refere ao interlocutor, esqueci de dizer isso. É tipo “a pessoa dá um tiro no pé ao tentar defender seu ponto com uma frase assim”.

        Acho que se eu fosse encher o saco do autor original (se eu tivesse saco de ir lá hehe), diria pra ele mudar o título para algo como “se vc acha que 4E não é RPG, não está usando o sistema direito” ou algo assim.

  2. E só pra floodar os comentários, não lamente, eu jogo praticamente todas as edições e sou feliz em todas, mas não mestraria a 4a =D.

    • hauhauhauua… foi só uma trollagem básica… eu já joguei todas as edições… tinha alguns tipos de personagens da 3.5 que queria ter feito e acabei não fazendo… se o pessoal aqui animar jogar 3.5 de novo ainda tenho várias cartas na manga pra ela!

      • Na verdade eu nem sei se a 3.5 vale mais a pena mesmo, não do jeito que está lá. A gente tem tanta house rule que o jogo virou outra coisa, então acho que True20, M&M e versões caseiras do sistema acabam funcionando bem melhor que ele.

        Pra quem não tem esse tempo todo de jogo (a ponto de mudar o sistema pra ficar legal), sempre recomendo a 4E mesmo (como disse no PRGRadio #0), ou o Storytelling. Aquilo sim é coisa linda de Deus! =D

  3. boa! Tinha visto esse post, e novamente digo que é muito bom.

  4. O ponto é que se você quer jogar RPG, está usando o ruleset da 4e e acha que não é RPG, você está, de fato, jogando errado. Porque tem tudo lá pra ser RPG.

    Claro, se você quer usar o ruleset para um jogo de tabuleiro, não está errado, mas aí não é RPG por definição. As regras da 3e também eram usadas como um jogo de tabuleiro, e nem faziam delas menos apropriadas para um jogo de RPG, esse é ponto.

    Abs!

    • O que eu acho mais legal no RPG é que o seu grupo pode jogar do jeito que quiser por isso existem as famosas “house rules” !
      Gostaria de lembrar ao pessoal e creio que o pessoal que joga a mais tempo sabe disso (inclusive vc já sabe Daniel) que o RPG tem origem em boardGame… E no meu ponto de vista se a 4E resolveu resgatar um pouco mais de boardgame não tem nada de errado nisso… O que eu realmente acha sacanagem é são as pessoas que falam mal da 4E e nunca jogaram uma partida de 4E…
      Eu lembro claramente quando comprei a 4E em inglês logo que foi lançada… alguns dos meus jogadores praticamente torceram o nariz… depois de algumas semanas com o livro lido… adaptei a primeira aventura da Scales of War… e convenci o pessoal a jogar… conclusão… mais de um ano depois o pessoal só quer saber de jogar 4E!

  5. Blz Galera…
    O DeD 3.5ed ja é um clássico miulhoes de combos de para tornar o personagem super foda, isso com,eçou o transformar os jogadores em seres um pouco individualistas, querrendo sempre o bem pessoal e o grupo se lasca depois, mas tem, seu “charme” se me entendem.
    O DeD 4ed vem como um campo novo, o jogo ficou bem diferente, mas todos os componentes estão lá, menos os combos “fuderásticos”, a ação do grupo é primordial, na verdade isso é uma volta ao conceito mais fundamental do RPG, “um por todos é todos por um”, voltou a faze a diferença ter um jogador chato que gosta de mandar nos outros e dirige a ação, tem que se ter cuidado na hora de usar os golpes porque elas acabam, tem que ser pensado pra que vai se dar o bonus de CA ou ATQ. Enfim o grupo volta a ter um peso diferenciado.
    Ótimo post.

    • Em falar em combos de 3.5… não existe coisa mais combada a adaptação de classes gestalt que um amigo meu fez: imagine duas classes… escolha o melhor das duas classes! Escolha as menores restriçoes das duas classes…. ai sim você tem um bicho combado pra Karai! E vc ainda pode combar os feats que possuem como pré-requisito as duas classes… ai meu amigo… sua imaginação e capacidade apelativa é o limite…. e depois não adianta o mestre chorar…. rsrsrs

  6. Desde que se divirtam, não vejo nada de errado em sistema nenhum… Não gosto de 3D&T, mas fiz coisas de Naruto com ele que dificilmente faria com outro sistema… E o mais importante… Me diverti…

    • Cara tá ai uma coisa que eu nunca joguei…. agora antes de existir 3D&T eu joguei Dungeoneer que era um rpg baseado nos sistemas daqueles livros jogos!
      de uma campanha que meu primeiro grupo parou um pouco antes da batalha final e nunca mais jogamos….

      • Sou adepto da idéia de que só pode se reclamar do que se conhece…
        Gosto de conhecer tudo a que tenho acesso… Pra poder criticar/elogiar com mais propriedade…

  7. apesar de tudo, é muito comum em D&D 4th a maioria dos mestres só atacar, o grupo encontra um grupo de kobolds, o dragonborn paladino vai tentar diplomacia e o mestre já começa a rolar os dados para acertar, assim, ele vira um wargame mesmo, claro, o que importa é o mestre, não o sistema, mas o sistema influencia, principalmente se o mestre for novato, e o D&D 4th tem a característica de fazer o mestre virar “a máquina”, que só ataca…

    • Concordo Gilberto! o mestre tem que estar preparado para situações inusitadas e que vão DE encontro ao que ele pensou… é muito fácil pro mestre quando algo que um jogador faz vai AO encontro do ele planejou…
      Cada um tem eu estilo de mestrar… mas pra mim não estar aberto a novas possibilidades é pior coisa que um mestre pode fazer!

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