Cenário de um, sistema de outro…

Sei muito bem que alguns vão discordar de mim, mas é para isso que escrevo. Para saber de opiniões diferentes.

Recentemente comprei os livros de D&D 4º edição [Jogador e Monstros], mas lendo e relendo os livros, ainda não me sinto atraído a mestrar usando esse sistema. Ele é bom sim, mas a falta de certos detalhes me faz gostar mais de outro sistema.

Estou jogando D&D 4º Edição uma vez durante a semana e sinceramente ele é muito bom. Valeu a pena eu ter comprado. Valeu cada centavo. Porém ele me deixa inseguro quando penso que, na minha ânsia por detalhes, eu precisaria inventar ou alterar algo no sistema. O exemplo clássico que me vem à mente é um golpe na cabeça. Pelo menos eu não encontrei nada sobre isso no livro.

Acontece que  minha idéia é voltar ao que eu gosto e entendo. Por que mestrar aventuras de D&D, se eu gosto mesmo de GURPS?

Acontece que GURPS tem como cenário fantástico medieval Yrth. Um cenário muito parecido com a nossa Europa Feudal, com detalhes de fantasia e, a parte mais importante da questão, eu não gosto do cenário.

A um tempo atrás comprei Reinos de Ferro, mas a idéia era usá-lo em GURPS, postar alguns materiais descritivos, converter algumas criaturas do Monstronomicon e eticétera. Porém, por regra, não é possível de se fazer isso e postar na internet, sem a autorização dos responsáveis legais [e eu não consegui a autorização, diga-se de passagem].

Queria ter o trabalho de transformar os dados de D&D em dados de GURPS, mostrar o resultado no meu blog, saber quem gostou e quem não, coisas do gênero, mas não deu…. Deixa pra lá…

Agora, depois de ler D&D 4º Edição me deu mais vontade de mestrar GURPS, mas tenho o problema do cenário. Será que vale a pena ter todo o trabalho de pegar um cenário pronto para um sistema X e convertê-lo para um sistema Y? Não falo só de D&D e GURPS, mas de qualquer cenário que não seja feito para o sistema que quero usar.

Claro, há aqueles que acham que não é necessário fazer conversão nenhuma de cenários. Por um lado eu concordo. Acho que a idéia de cenário serve como base e não como regra. Mas pode acontecer de os jogadores tentarem algo inusitado contra um NPC importante nesse cenário [acreditem, já vi isso acontecer] e o mestre ter problemas por não ter as estatísticas do NPC prontas, por estar usando um sistema diferente do sistema próprio para o cenário.

Isso se resolve com uma conversão. Converter o cenário/livro inteiro? Não, só as parter mais relevantes e que podem ser utilizadas na sua sessão.

Vale a pena converter cenários?

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18 Respostas

  1. A resposta para esta dúvida deve ser respondida junto com esta pergunta: é um cenário que vale a pena converter?

    Na minha opinião o mundo de Tormenta é o melhor cenário de fantasia medieval que tive o prazer de ler (minha opinião!!!). Por este motivo, já converti-o pra praticamente todos os sistemas de RPG que já joguei até hoje.

    • Provavelmente Tormenta seria o cenário que eu usaria. Se vale a pena? Sinceramente não sei. Já tentei fazer isso, só não tive força de vontade e iniciativa pra começar…

      Obrigado pelo comentário!

  2. Seu texto já respondeu: você curte um e curte o outro — vai deixar uma diferença mecânica te impedir de desfrutar da combinação que melhor te apetece? Não se submeta a privações desnecessárias.

    Converter o cenário *em si* nem parece necessário — ele é, afinal, descrição. Para adaptar coisas como criaturas, certos itens, NPCs, faz conforme for sendo necessário, é mais prático fazer a coisa aos poucos.

    E, no mais, se dê por feliz — o GURPS é, além de bacana, genérico, então não é tão difícil importar coisas pra ele. Imagina se fosse o D&D/d20, com suas mecânicas cheias de pressupostos temáticos? Aí seria difícil! Agora, com sistemas genéricos e/ou rules-lite, a coisa é perfeitamente factível.

    • Opa Remo. Obrigado pela visita.

      Exatamente, o livro de cenário era para ser basicamente para descrição. O problema que vejo é que ele term tantas regras quanto os livros de regras [com exceção de “GURPS Illuminati” e “O Livro de NOD”]…

      Fazer conforme seja necessário é a idéia que pretendo usar. O único porém são os imprevistos. Sou o tipo de mestre que deixa os jogadores fazerem literalmente qualquer coisa, mas eles pagam pelos seus atos, quando necessário.
      Da última vez que mestrei em Tormenta, os jogadores me disseram com iriam chegar aos aposentos do Rei Thormy [e a estratégia era completamente válida]. Quando o combate quase se iniciou, imagina minha agonia por não ter a ficha do rei, por achar que não era necessária. Hehe…

      Acho complicado julgar o que é necessário antes da sessão [e esse é meu grande problema]. Nunca se sabe até onde a criatividade dos jogadores vai trair o mestre.
      Será que devo converter tudo que acho importante no cenário e só depois fazer os detalhes menores?

      • Teu grupo te deixou numa saia justa, mas não posso deixar de tirar o chapéu pra eles — se a estratégia foi válida, eles foram realmente bons.

        O cenário pode ter as regras junto, mas nem tudo *realmente* requer conversão. O Rei Thormy, por exemplo, em termos de regras, não é nada especial — é só um combatente competente (ele tem níveis de guerreiro) com uns itens mágicos (que ele provalmente não estaria vestindo se estava nos aposentos, he, he!) — na hora do aperto, qualquer ficha de combatente passável serve. NPCs mais complexos de se montar (os arquimagos, por exemplo) não parecem ser do tipo que será surpreendido pelos personagens, tamanha a overpowerness desses NPCs.

        De necessário mesmo, me parecem ser as “coisas de personagem”, como os pacotes raciais (que você já deve ter montado, sem falar que coisas como “elfo” e “anão” o GURPS Fantasy já possui), habilidades exóticas como resistência à Tormenta do Explorador (que pode ser uma variação de Abascanto, direcionada a efeitos da Tormenta), coisas assim. De resto, criaturas únicas como os demônios da Tormenta (que pode ser feito também como um pacote, da mesma forma que é um template no d20).

        Tu tem um aliado: o GURPS. Ele cobre praticamente qualquer coisa. Se a saia justa acontecer, pegue algo existente e adapte à situação (Abascanto virando resistência à Tormenta, por exemplo). Converter a coisa vírgula por vírgula é maçante — pegue apenas o conceito e tenha menos trabalho.

      • Exatamente. Não quis tirar o mérito deles e deixei que algo de bom acontecesse, pois eles fizeram por merecer. A saia justa foi válida…

        Gostei muito do teu comentário. Acho que ele me acendeu algumas lamparinas no juízo…

        Sempre achei que a melhor opção seria converter os dados bem próximos do que seriam no outro sistema, mas pensando bem, eles podem sofrer várias alterações sem perder a identidade.
        Valeu…

  3. Converter um cenário, apesar de trabalhoso, não é impossível. Você pode ir convertendo conforme for precisando do material, e a parte mais interessante do cenário é justamente o seu rico background.
    No entanto, fica um aviso. Sou muito fã de GURPS, mas o tipo de aventura que se pode jogar em GURPS em comparação com D&D é brutalmente diferente. Serão dois estilos distintos, e a principal questão é: será que o cenário iria se adaptar bem ao novo sistema? Era isso que me incomodava muito no Tormenta no início, onde tinham estatísticas para GURPS, 3D&T e D&D.
    Se você não se preocupa com isso nem seus jogadores, vai fundo, e com certeza vai valer a pena. E fica uma dica, leia sobre Eberron, meu cenário favorito de D&D 🙂

    • Olá Delibriand. Obrigado pela visita…

      Sim, sei muito bem que o cenário de D&D em GURPS vai ficar menos heróico, mas os jogadores jogam sabendo como vai ser diferente. E eu gosto da idéia de mortalidade, fazer os personagens saberem que uma flecha bem atirada pode matá-los sim.

      Eberro, para mim, é muito difícil. O pouco que sei de inglês, detesto praticar, mas obrigado pela dica…

  4. acho q o rpg por principio eh um jogo para se divertir, converter cenarios, alterar regras, tudo eh valido, acho q vc esta numa busca bem parecida com a minha, mas eu fico no D&D [3a, 3.5, Pathfinder]… nunca entendi gurps, mas tambem nunca tive um bom contato pra conseguir entender…

    sou solidario a sua busca…

    quanto ao Tormenta, realmente, um otimo cenario, mas nao tenho paciencia de jogar nele, mas admito que eh fantastico

    • Olá Vermei… Obrigado pelo comentário…

      O que exatamente lhe tira a paciência em Tormenta?
      Obrigado pela força…
      Há quem diga [e uma discussão foi intensa nesse quesito] de que não há necessidade de converter material feito para 3.0/3.5/Pathfinder… Eu acho essa idéia meio estranha. Conheci os dois primeiros e os acho dois sistemas diferentes. Muito parecidos, mas ainda diferentes…

  5. rpg não é sistema operacional de computdor, que limita o usuário a ficar atrelado apenas a este ou aquele tipo de arquivo ou programa

    Crie
    Edite
    use
    se divirta

    Não gostou? Ignore. Precisou? Adapte!

    É assim que rpg funciona, é assim que o jogo rola

    • Oi Rpgista… [Não sei porque, mas sempre pensei que você fosse a esposa do Alexandre (Rpgista.com.br)]. Obrigado pelo comentário…

      Vou começar a converter sim. Mas quando me lembro da quantidade de regras que se tem nos livros de cenários, me dá cãimbra nos dedos… hahaha

      “Crie
      Edite
      use
      se divirta”

      Gostei. Valeu…

      • Huahuha! Náo é não… E minha esposa que nunca veja esse post!

        Cara, sei o que vc passa. Nós, jogadores de GURPS sofremos com essa falta de material.

        O que eu acho é que vc nunca vai conseguir cobrir todas as possibilidades que teus jogadores possam pensar.

        O que acontece se, ao invés de lutarem contra o Rei, os PCs resolvem lutar com o conselheiro dele? Você vai ter que se virar na hora pra fazer a ficha.

        Por isso acho que você só deve adaptar o básicão, e fazer o resto “on demand” , na medida que for precisando.

        Se for muito especial e complicado, vc para a sessão e escreve. A menos que você fique preocupado com “pontos de personagem” para NPC.

        Se vc criar NPC com pontos… aí sugiro fortemente que deixe de fazê-lo. Tua produtividade vai aumentar 1000%.

  6. Opa Alexandre. Não foi pra causar constrangimento ok. Pensava mesmo, sem nenhuma má intenção nisso…

    Nunca pensei em NPCs por pontos. Acho que isso seria exageradamente detalhista, até para GURPS. hehe

  7. […] em um post do meu xará, Alexandre Fnord, sobre adaptações de cenários para o seu sistema predileto (coincidentemente, o meu também) […]

  8. […] em um post do meu xará, Alexandre Fnord, sobre adaptações de cenários para o seu sistema predileto (coincidentemente, o meu também) […]

  9. […] em um post do meu xará, Alexandre Fnord, sobre adaptações de cenários para o seu sistema predileto (coincidentemente, o meu também) […]

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