Vampirismo. Ele existe?

INICIATIVA GURPS

Este é um post da INICIATIVA GURPS! Estes posts são sempre conjuntos, temáticos e periódicos. Assim, de 15 em 15 dias, você pode conferir a visão de vários autores sobre um mesmo assunto O tema desta edição da INICIATIVA GURPS é VAMPIROS!

Esse post é antigo, mas como a Iniciativa GURPS resolveu falar sobre Vampiros, nada mais normal que trazer de volta ele. Aproveitando também a sexta feira 13 [a última do ano], o assunto caiu como uma luva. Baseado em dois temas [a sexta feira 13 e o post de Emilson, do Zona Neutra] resolvi falar um pouco sobre o verdadeiro vampirismo. Sei que é um assunto meio batido e fantasioso para alguns, mas na realidade a doença existe.

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O pavor do Drácula de Bram Stocker à cruz é facilmente explicado [basta assistir à obra prima], mas tanto a suscetibilidade fatal à luz solar como o gosto por glóbulos vermelhos, podem ter sido inspiradas em pessoas reais portadoras de porfiria, uma doença rara do sangue.

O nome porfiria vem do grego porphiros, significando vermelho-arroxeado.

A porfiria é doença genética e mesmo que alguns dos sintomas não possam ser aliviados, atualmente o principal tratamento para alguns tipos é a injeção de concentrado de glóbulos vermelhos (hemácias) ou soluções do Grupo Heme. Recomenda-se também aos pacientes o uso continuado de filtros solares.

Na Idade Média, entretanto, essa injeção era impossível, pois não havia sido descoberta. Pode ser então que algum paciente tenha sido orientado ou induzido por algum curandeiro a comer ferro, carne crua ou a beber sangue. Nascia, assim, a lenda – ou o mito – do Vampiro.

Alguém se habilita a dizer quem é essa senhora?

Alguém se habilita a dizer quem é essa senhora?

O médico britânico Lee Eallis, primeiro pesquisador a estudar o vampirismo do ponto de vista científico, formulou a teoria do vampiro patológico estabelecendo a relação entre o apetite por sangue a essa doença.

O rosto do paciente, aos poucos, fica deformado. As extremidades se aguçam, os ossos parecem querer saltar através dos músculos. A gengiva escurece e se retrai dando a impressão de mandíbula proeminente. Os dentes incisivos se destacam. A exposição ao sol desencadeia problemas imunológicos: aparecem inflamações. O doente de porfiria evita a luz do dia; passa a sair à noite. Em muitos casos, problemas mentais completam o quadro.

Transtornado pela carência de hemoglobina, padecendo dores terríveis, o “porfírico” pode se tornar agressivo e atacar outra pessoa para obter sangue, aliviando temporariamento o sofrimento. Os cientistas acham que os vampiros medievais eram portadores da doença transformados em criminosos por um instinto de autopreservação.

A natureza genética da porfiria juntamente com o casamento entre membros de uma mesma família em alguns grupos étnicos europeus orientais e entre a nobreza européia em geral, poderia ter desencadeado a doença em pessoas geneticamente ligadas.

Os cientistas, entretanto, ao procurarem a cura para a doença, descobriram que se a porfirina for injetada em um tecido doente, como um tumor canceroso, por exemplo, pode ser ativada pela luz de forma a destruir o tecido. Esse procedimento é conhecido como TFD (terapia fotodinâmica).

Grande parte dessas pesquisas estão no estágio final pré-clínico ou nas primeiras experiências clínicas. O fato é que o TFD ao ser usado como alvo antimicrobiano poderá se tornar um instrumento útil do arsenal médico, uma vez que a resistência a antibióticos vem se tornando cada vez mais difícil de ser tratada.

David Dolphin, numa tese apresentada à Associação Americana para o Avanço da Ciência, sugeriu que a porfiria poderia estar relacionada aos relatos de vampiros. Assinalou que um dos tratamentos seria a injeção de Heme e formulou a hipótese de que as pessoas sofrendo de porfiria nos séculos anteriores tentassem beber o sangue de outros como uma forma de aliviar seus sintomas. A idéia foi recebida com grande publicidade e debatida seriamente durante vários anos, mas a hipótese de Dolphin foi totalmente descartada. Seu principal crítico e opositor foi Paul Barber afirmando que os relatos dessa época não descreviam as pessoas que tinham os sintomas da porfiria, pois muitos deles se relacionavam à descrição de cadáveres, não de pessoas vivas ou de fantasmas desencarnados.

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Vlad Drakul Tepes, príncipe da Valáquia, no século XV. Supostamente ancestral de Conde Drácula.

Na Rússia, em Novomasvoviski, um jovem esfaqueou um velho. Quando a polícia o prendeu, ele estava lambendo o sangue que brotava da ferida de sua vítima. O inglês Mathew Hardman, de 17 anos também esfaqueou o vizinho e bebeu seu sangue; queria tornar-se imortal. O casal alemão Daniel e Manuela Rudha também mataram um homem para beber sangue. Daniel tem os incisivos afiados exatamente para perfurar com facilidade as veias da “presa”; sua mulher usa prótese dentária: caninos feitos especialmente com esse mesmo fim.

O que se pode saber disso? O comportamento é vampiresco, mas os protagonistas dos crimes citados não se encaixam na tipologia clássica dos vampiros; são doentes.

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Agora, como perguntou o Emilson, você [principalmente os admiradores do Mundo das Trevas, de Mark Hein Hagen] gostaria de ser um vampiro?

Só lembrando que os temas da Iniciativa GURPS são todos escolhidos através de enquete. Dê seu clique na enquete, clicando aqui.

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12 Respostas

  1. Acho que os vampiros purpurina que nem aqueles do filme do Crepúsculo são ainda piores do que estes de doença!

    Belo post!

    • tenho a mesma opinião, os vampiros de crepúsculo e dos próximos filmes do mesmo autor são ótimos, uma.. existencia, descoberta mais inspiradora pra vc acreditar.

  2. eu acredito que vampiro existe sim ! mais ñ dá forma que imaginamos . !

  3. Muito bom! Só curiosidade: “Tepes” em romeno não é nome, é alcunha, significa empalador. Seria “Vlad Drakul, Tepes”. Ás vezes ele assinava “Drakulya”, ou “filho do dragão”. Drakul era seu pai, ou melhor, a ordem do Dragão a qual ele pertencia. Recomendo o livro: Em busca de Drácula e outros Vampiros, de Raymond McNally e Radu Florescu.

  4. […] Virtual: Vampirismo. Ele existe? Os Butcher – Caçadores […]

  5. […] Vampirismo. Ele existe? […]

  6. Eu sou um vampiro e vou morder seu pesco simmm!!!!!!!

  7. A senhora da foto, seria A Condessa Bathory, mais conhecida como”Condessa Sangrenta”…

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