Personagens Suicidas…

Bem gente, em primeiro lugar devo pedir desculpas aos nossos 1d-3 leitores pela minha ausência no blog, mas outros projetos, que necessitavam mais da minha atenção estão em andamento. Nesse caso, fui obrigado a dar uma parada no blog, acumular algumas idéias para poder voltar a escrever para vocês.

Mas como tudo na vida, meus projetos também devem ter um limite e isso me ajuda a voltar a escrever para os que se interessam pelos assuntos de que eu falo.

Nessas férias comecei um grupo do jeito que eu gosto, com iniciantes. Um grupo que joga GURPS Fantasy e que quer fazer um crossover com Ragnarok Online, onde pretendo pegar alguns elementos do jogo eletrônico para trazer para GURPS. Fácil, mas vai levar um bom tempo… Considero isso muito bom…

Porém, nesse processo descobri algo que ainda não tinha visto em nenhuma mesa, onde joguei ou que eu sequer tenha notícia. Descobri que existe o Jogador Suicida.

Sucídio não é uma solução, mas uma saída covarde!

Um dos meus jogadores já criou três personagens, mas somente os dois primeiros tiveram a oportunidade de jogar em minha mesa. Definitivamente cansei de tentar explicar a ele que o RPG é um jogo cooperativo e que ele só se desenvolve bem, se o grupo inteiro se entender e quiser jogar como grupo.

O jogador suicida parte da idéia de que ele tem temeridade. Sim, o jogador é temerário e automaticamente [por ser um iniciante e gostar de criar personagens com um pouco de sua personalidade] o personagem também ganha um pouco dessa desvantagem.

Em várias oportunidades o jogador suicida tentou de alguma forma criar situações claras onde seu personagem se arrisca mais que o necessário, estragando um pouco da diversão do grupo.

Para exemplificar segue uma das situações em que isso ocorreu mais recentemente:

Grupo de seis personagens, onde não há um deles que tenha quaisquer habilidades de cura. Eles se encontram numa trilha dentro de uma mata fechada. Durante a caminhada, eis que um verme gigante aparece por baixo da terra e começa o ataque aos personagens, que invadiram seu território e automaticamente fizeram a criatura imaginar que são seus inimigos. O combate começa e se desenrola com dois feridos gravemente. Os dois personagens são a força de ataque do grupo, onde os restantes são parte do suporte do grupo. Envenenadores, táticos e etc. Um dos que fica de pé, é um bárbaro, que não tem u traço de temeridade, sanguinolência ou ago do tipo em sua ficha.

O grupo consegue fazer a criatura recuar para seu ninho a custa de muitos ferimentos no inimigo, ate que três dos quatro ainda de pé, partem rapidamente para cuidar dos feridos. O grupo está em baixa e a chance de evitar o combate até o fim parece a melhor opção, visto que eles estariam em desvantagem caso a criatura voltasse em investida.

Durante o tratamento dos feridos, eis que o bárbaro pula no caminho subterrâneo deixado pelo verme, sem avisar a ninguém, armado com sua espada enorme e sua pouca agilidade em combate.

Duas rodadas de combate dentro do túnel e a criatura volta a superfície para se livrar do invasor e para terminar o serviço com o grupo de inimigos que revidaram seus ataques. O bárbaro, mesmo em desvantagem, continua preso nas presas da criatura, mas mesmo assim continua o ataque desenfreado. O grupo [os que ainda conseguiam lutar] investem novamente contra a criatura e numa rodada de extrema sorte para eles, a criatura é morta.

O bárbaro consegue sair vivo, mas o grupo fica altamente ofendido, por ele ter pensado em algo que o grupo inteiro discordava. Um combate entre o grupo e o bárbaro se desenha e o jogador, sentindo que estava sozinho em sua decisão, faz o combate iminente ter início. Com a falha de todos em sua prontidão, um warg e sua matilha iniciam um ataque contra os personagens e conseguem num ataque decisivo derrubar o bárbaro, dilacerando sua garganta. O grupo, já bem debilitado, tenta dar continuidade ao combate, mas depois de algumas rodadas descobrem que não conseguiriam acabar com a tocaia dos wargs. Com a ajuda de uma bomba de fumaça de uma ninja, eles conseguem se evadir do local, sendo obrigados a deixar o bárbaro no local de sua morte.

Sim, isso realmente aconteceu em meu grupo. O que me chamou a atenção foi que o bárbaro fez tudo o que fez, com muita temeridade. Outra coisa que eu percebi, foi que ele não o fez pensando no grupo ou em sua saúde, mas exatamente no inverso. Ele começou a briga interna por achar que o grupo não precisava ajudá-lo, se não quisessem, mesmo sabendo que ia morrer.

Você tentaria? Eu não!

Em outra oportunidade o mesmo personagem enfrentava um minotauro, em total desvantagem [tinha sua arma, mas estava sem armadura ou qualquer outro equipamento] e tentou iniciar uma briga interna justamente por que o grupo o ajudou a derrotar o minotauro. E na primeira oportunidade, ele, com um personagem antigo [um mago] pulou num rio de lava, para pegar a arma de um inimigo morto, mesmo sabendo que não suportaria [creio que todo humano reconheça que um rio de lava deve o matar, né!].

Isso me leva a crer que existam mais jogadores como ele, que se divertem com a morte de seus personagens. Isso é certo? Creio que não… Creio que o jogadores que participam de uma sessão de RPG, devem jogar pensando, se não no bem do grupo, em não prejudicá-lo.

Minha solução foi tirar do grupo o jogador suicida e deixar o grupo com um jogador a menos. O grupo inteiro, com exceção do suicida [é claro], concordou comigo e assim se fez. Conversamos, expliquei algumas coisas para ele sobre trabalho em grupo e sobre ajuda mútua e pedi a ele para esperar mais um pouco para começar a jogar RPG. Caso apareça uma oportunidade para jogar, vou convidá-lo novamente, mas com esse grupo atual, acho impossível a sua sobrevivência.

Além da opinião dos leitores, gostaria de saber se já existiu algo parecido em seus grupo. Não o simples fato de um jogador gostar de “suicidar” seus personagens, mas sim o fato ele fazer isso atrapalhando o trabalho em grupo.

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12 Respostas

  1. cara nunca tive que tirar ninguém da minha mesa… ainda mais porque o grupo base são meus amigos há 15 anos… os que jogam de vez em quando se encaixam bem no grupo e não temos problemas com eles…

    Já em relação ao jogador suícida, eu não vejo problema em ter um personagem assim na mesa, já mestrei com alguns, já joguei com alguns e já tive outro na equipe (o que ocorre no momento), porém, em nenhuma destas opções, o jogador jnão é suicida e sim o personagem. Em outras ocasiões, este mesmo jogador que esta jogando com um personagem suicida ja jagou com personagens táticos, guerreiors honrandos, magos e todo o tipo de personagem… demostrando assim que ele escolheu fazer um pc assim, com as devidas desvantagens (e vantagens).
    Então acaba sendo divertido ver o grupo de virar para se safar das enrascadas que ele coloca o grupo…
    desde que ele não atrapalhe todas as campanhas que jogarmos ta bom, ele so quis fazer um pc diferente do que ele ja jogou

    • Exatamente Fernando. Eu concordo que tenha um personagem assim na campanha, se o personagem for assim, não o jogador. E desde que não atrapalhe o resto do grupo frequentemente. Atrapalhar de vez em quando, acontece, mas sempre?

  2. Pelo que eu percebi, o problema é que ele joga RPG de “mesa” como se fosse on-line, dai o fato de toda vez ele matar o personagem achando que tem mais vidas, e não perceber que cada personagem tem uma vida que deve ser bem vivida se não há graça.

    ps. Será que agora vc tem 1d4 de leitores contando comigo.

  3. […] https://rpgvirtual.wordpress.com/2010/01/30/personagens-suicidas/O jogador suicida parte da idéia de que ele tem temeridade. Sim, o jogador é temerário e […]

  4. Diga para ele que o XP não é ganho por matar os inimigos e se ele continuar fazendo isso, deixa ele pegar on the edge, impulsividade, fúria etc…

    • O problema ai Gilberto, é que eu não o impedi de pegar nenhuma desvantagem. Ele criou o personagem como quis…
      Mesmo assim ele interpretou como se fosse um homicida…

      Era engraçado ver o grupo com raiva do personagem dele, mas chegou a um ponto que estava estragando a diversão…

      Valeu pelo comentário!

  5. Cara… muito doido! Realmente nunca tinha visto isso acontecer antes.

    Já ví jogadores fazendo muitas besteiras, mas nunca assim!

    Deixa ele fazer a ficha sozinho! Enquanto todo mundo está jogando, ele fica fazendo as contas dos pontos. Daí, quando ele começar a perceber o tempo que leva, vai ter mais cuidado.

    “- Pronto! Terminei!”
    “- Ok. Então… Semana que vem nos vemos, pessoal! Tchau!”

  6. Primeiro gostaria de pedir desculpas mas não encontrei o contato, então postei aqui.
    Gostaria que divulgassem o site do Clube de Jogos Sétima Armada. Estamos tentando criar um novo point de jogos em bh.
    desde já agradeço.
    http://sites.google.com/site/setimaarmada/

  7. kkkk
    Gostei muito do seu suicida…Sou umadmirador de RPG mas não tive muitas oportunidades de faze-lo, mas por obra do destino, o primeiro que eu participei tinha um jovem com as mesmas caracteristicas que as descritas acima. lembro-me bem que em um belo dia de combate nos deparamos com um vampiro cujo os poderes nem se comparavam aos nossos, é tanto que ele nem nos deu atenção, mas mesmo assim nosso colega achou que aquilo seria uma afronta e decidiu por conta própria ataca-lo de qualquer forma, depois de vários golpes inuteis o vampiro reagiu, e nos surrou por rodadas seguidas, eu ainda sem entender direito como funcionava o jogo apenas segui meus colegas quando tivemos uma chance de fugir, quando próximo a porta verificamos que o LOUCO ainda estava de guarda esperando o seu fim, ‘Com uma pequena ajudinha do mestre’, conseguimos derruba-lo e carrega-lo, não o vampiro, o LOUCO, ele não gostou muito de termos salvo sua vida, mas eramos tres contra um apesar dos ferimentos.
    Fiquei até que meio assustado para o meu primeiro combate de RPG, pois levamos uma surra e tivemos que espancar um aliado, além de tudo ainda perdemos muito tempo para podermos nos curar dos ferimentos.

    • Então Oderlan, realmente existem tipos assim. Hoje, se possível, eu evito esse tipo de gente, pois como você mesmo relatou, atrasa o grupo, diminui a diversão e as vezes gera confusão, numa brincadeira que é pra ser divertida.

      Agradeço a visita e o comentário.

  8. Po, na mesa em que eu jogo, toda vez que vc morre voce perde 10% do total de seus pontos… ajuda a valorizar mais o personagem!

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